Skip to main content
id da página: 7726 Wei Wu Wei PORQUE LÁZARO RIU Buda

Wei Wu Wei Budas

Budas para queimar

Penso que entendemos que dogmas em um mundo de constante mutação são necessariamente falsos? E posto que sabemos que tudo que formulamos em palavras, ou seja, visto dualisticamente, é inevitavelmente deformado, podemos prontamente compreender que todas as doutrinas, religiosas, filosóficas, científicas, não podem representar mais do que uma reflexão da verdade.

Homens e mulheres que buscam doutrinas, as estudam, se dedicam a segui-las, estão impedindo seu próprio progresso. Os Mestres não deixaram espaço para dúvida a esse respeito. Desde o Buda, em sua frequente condenação do «discursar», eles tornaram claro, em declarando que não deve haver nenhuma apego a, ou identificação com, o Dharma ele mesmo (ou qualquer dharma), que mesmo o ensinamento do Buda ele mesmo deve ser descartado.

Doutrinas, escrituras, sutras, ensaios, não devem ser vistos como sistemas a serem seguidos. Meramente contribuem para a compreensão. Deveriam ser para nós uma fonte de estímulo, e nada mais.

Devemos criar cada um seu próprio dharma, compreensão, e poder usar aqueles de outros para nos ajudar para este fim; eles não têm nenhum outro valor para nós. Adotados, ao invés de usados como um estímulo, são um incômodo. Como o mestre Zen afirmou ao monge que encontrou estudando uma sutra, «Não deixe a sutra perturbá-lo — ao invés, perturbe a sutra você mesmo». Alguns Mestres expressam-se mais forçadamente, como quando recomendam que Budas (estátuas de) são para queimar e em um dia frio usados como lenha, e em avisando, «Se encontrares o Buda, vire e olhe para o outro lado». Tais afirmações chocam o sentido de reverência inculcado pelas religiões devocionais, mas seu significado, sua meta, sua importância, são evidentes.